Já fui entusiasta da TV Digital. É, lá pra 2000, quando tinha acabado de entrar na faculdade de Comunicação Social. Acompanhei boa parte das discussões (que já aconteciam há pelo menos 5 anos naquela época) a respeito de padrões, formatos, impactos na vida das pessoas.

Até que me cansei. Cansei do empurra-empurra do Governo, cansei dos diversos adiamentos que a escolha do padrão para a TV Digital brasileira sofria, ano após ano. Cansei de esperar pela implantação do sistema no Brasil. Até que ele veio. Pela metade. E bem mais oneroso do que se previa.

Enfim, a TV Digital no Brasil ainda não é uma realidade. O sinal está aí, mas ainda não temos todas as possibilidades funcionando a todo o vapor. E você me diz: “Diana, peraí, né? As coisas vão acontecendo aos poucos”. É, concordo. Aos poucos, na velocidade que o Governo quer. Ou, de outra forma, como você me explica esta notícia?

Governo mantém multiprogramação proibida

O Governo Federal manterá proibida pelo menos até o final do ano a exploração da multiprogramação de TV digital por emissoras privadas. Multiprogramação é um recurso que permite a uma TV irradiar até quatro sinais em um só canal.

No início de março, o ministro Hélio Costa prometeu regulamentar em dois meses a multiprogramação comercial. Ele reagiu à pressão contra norma do Ministério das Comunicações, de 27 de fevereiro, que diz que apenas as TVs da União (como a TV Brasil) podem explorar multiprogramação.

Costa, no entanto, não deverá cumprir a promessa. A tendência é empurrar o assunto para a Conferência Nacional de Comunicação, em dezembro.

A multiprogramação virou um problema político para o governo. De um lado, Globo, SBT e Record, por meio da Abert (associação das TVs), são contra o mecanismo, porque cria novos canais e, consequentemente, novos concorrentes.

De outro lado, há a Band, a Rede TV! e, principalmente, o Grupo Abril, pró-multiprogramação. O governo não quer desagradar à Abril nem à Globo.

A solução será oferecer à Abril autorização para multiprogramação em caráter científico, mesma solução dada à TV Cultura. Mas o caráter científico impede publicidade, o que a Abril não quer.

As informações são de Daniel Castro, da Folha de S.Paulo.

Vergonha, cara. VER-GO-NHA. E depois, eles reclamam que a adesão tem sido baixa…

[Via Clube de Criação de São Paulo]

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