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2009
Propaganda da BIC Comfort 3: Minha explicação
Muitas pessoas vieram debater comigo sobre a presença ou não de homofobia na propaganda da BIC, o que me deixou feliz. Tirando uns Trolls, o debate sempre é positivo.
A blogueira Lia veio comentar o último post, e transcrevo aqui o comentário e a minha resposta, explicando onde vi o preconceito nesse anúncio:
–
Lia:
Eu me assustei com o titulo do seu topico e corri pra ler essa propaganda que vc colou aí, pra ver se encontrava o preconceito e a homofobia…
Acompanhei o inicio da campanha num show de stand-up comedy com o Maguila interpretando o homem-ogro, o Cauã Reimond interpretando o homem bem-feito e o Sergio Abreu interpretando o homem sensivel demais e metrossexual. Em momento nenhum houve alguma referencia homossexual ligada ao Sergio, mesmo pq ele não toparia participar já que estava ali como ele mesmo e não como um personagem.
Falo por mim e pelos outros blogueiros que apoiaram a campanha, não fique chocada, pq o q nos foi passado é isso q descrevi acima.
Lendo a propaganda q vc anexou aí, eu acho q ela desconversa um pouco do resto da campanha sim nas duas primeiras “Situações”. Ao mesmo tempo não vejo tanto motivo pra alarde e definitivamente não vejo preconceito.
Isso é completamente diferente daquela propaganda do salgadinho onde os amigos ZOAVAM o amigo “gay”.
Tenho mtos amigos queridos que sao homossexuais, e posso dizer que entre eles tem o gay ogro, o gay feminino e o gay bem-feito! kkkkk
Acho q vc interpretou a propaganda com um olhar mto severo, de quem “procura coisa errada”. Não tem nada demais não, só que como eu disse, fugiu um pouco da estética do resto da campanha por caricaturar demais um dos homens não-bem-balanceados. ;)
–
Diana:
Eu vi um vídeo da campanha e realmente não vi preconceito ali. O ator interpreta um cara sensível demais, chegando a ser mala, mas ainda hetero.
Quando você comenta que “Lendo a propaganda q vc anexou aí, eu acho q ela desconversa um pouco do resto da campanha sim nas duas primeiras ‘Situações’.”, é aí que mora o problema, a meu ver.
Nessas duas situações, você está falando de um cara sensível, mas concorda comigo que o cara hetero lá de cima jamais agiria assim?
Quando você compara, dizendo que o número 3 é bem-feito, vc automaticamente está dizendo que o 1 e o 2 não são.
Posso estar exagerando minha visão? Sem dúvida. Mas não estou sozinha nisso, tanto que o link para o site do Conar está sendo o mais clicado do post.
Bom, acredito que vc tenha amigos gays e não seja preconceituosa. Acredito também que a campanha talvez não tenha pretendido ser preconceituosa. Mas no anúncio impresso, ela foi. A meu ver e de mais um monte de gente…
É como eu disse em uma resposta ali em cima: as coisas começam pequenas, e se a gente vai deixando, cada vez mais a nossa visão do que é “normal” vai se acostumando a deixar pra lá coisas piores…
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Além disso, a Carla deixou um comentário ótimo, que também tomo a liberdade de reproduzir aqui:
Carla:
Olá, Diana. Comentando sobre a propaganda e sobre o que os colegas comentaram anteriormente, penso que sim, “aparentemente é inocente”, assim como são “aparentemente inocentes” as propagandas de carro em que a mulher bela é um troféu no banco de carona (teve uma em que um determinado carro ganhava no “quesito: namorada de motorista”, o que eu achei o fim). E, obviamente, nem todos se sentem ofendidos – que bom! Mas, é preciso tomar cuidado com os estereótipos que são passados. Pode ser que a intenção nem tenha sido má, mas não foi criativa, diferente, foi a reprodução de uma ideia de um “homem ideal”. Assim, essa propaganda tira o lugar da diversidade: propõe um modelo masculino, que seria o ideal de “homem heterossexual”. Não importa se a figura que aparece nas segundas respostas é gay ou não: na medida em que se propõe uma caricatura que acaba tendo características tidas como “femininas” – e o coloca como menos bem-feito que o outro, há um discriminação. E, afinal, o produto é apenas para homens heterossexuais?
–
Por fim, quero colocar aqui um “resultado” de uma enquete que fiz no Twitter, perguntando se é normal (no sentido de “é tranquilo para você?”) ver um casal gay andando de mãos dadas e trocando carícias em público.
Achei interessante porque recebi respostas via Mensagem Direta, e vou ser sensível o suficiente para manter o anonimato de todos.
Seguem as respostas recebidas:
- Normalíssimo RT @dianapadua: Então vamos lá. ENQUETE relâmpago? Quem aqui acha normal um casal gay de mãos dadas e se beijando em público?
- Super Normal… Acho interessante q casais ht podem se “comer” em publico q ngm diz nada… agora, se for um casal gay pelo menos de mãos dadas, td mundo cai em cima… Olha a hipocrisia aí…
- Anormal é votar nos Sarneys da vida! RT @dianapadua: Então vamos lá. ENQUETE relâmpago? Quem aqui acha normal u …
- Normal. assim como eu acho casais Heteros.
- eu! KK
- eu acho normal. Feio é quando praticamente se comem em público seja hetero ou homo.
- Acho maravilhoso quando vejo um casal assim, que se afirma.
- eu nao axo normal! mas nao critico .. bj
- Respondendo à sua enquete, eu não condeno, mas não acho normal. Não é uma coisa que se vê todos os dias.
- tbm acho maravilhoso um casal q se afirma. Principalmente pra quem se afirma. Deve ser terrível viver se escondendo…
- hiper-normal
- Polêmicas à parte. Normal não é. Mas temos que respeitar a liberdade e mais do que isso, respeitar a lei. Certo?
- confesso que a situação me encomodaria. Faria uma cara como se lambendo limão.
Durante os debates (no blog, no Twitter, na comunidade Homofobia já era!), muita gente disse que não viu homofobia no anúncio, muita gente diz que viu. Como eu disse ali em cima, a partir do momento em que há gente se sentindo ofendida, Houston, we have a problem!
E, ao contrário do que disseram no Twitter, não há uma Lei contra a discriminação contra homossexuais, e a votação pública para o Projeto de Lei no site do Senado estava difícil: a última vez que vi, estava em 49% (a favor) a 51% (contra) a criação da Lei de criminalização da homofobia. Já tiraram a enquete do ar, mas também na comunidade Homofobia já era! há um tópico que acompanhou a (cof cof…) evolução da enquete.
Portanto, repito o que eu acho: o preconceito está tão arraigado que as pessoas já nem percebem que ele existe. Cada vez mais, vamos deixando passar coisas piores, porque vamos nos acostumando com aquela realidade. É a banalização do preconceito? Na minha opinião, sim…
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9 Comments
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[...] This post was mentioned on Twitter by Leoni, dianapadua. dianapadua said: Acabei de postar um "resumo" dos debates sobre homofobia de anteontem, e minhas opiniões sobre o assunto – http://bit.ly/7L515n [...]
Acabei de postar um "resumo" dos debates sobre homofobia de anteontem, e minhas opiniões sobre o assunto – http://bit.ly/7L515n
RT @dianapadua: Acabei de postar um resumo dos debates sobre homofobia de anteontem, e minhas opiniões sobre o assunto http://bit.ly/7L515n
http://bit.ly/5mlWjh Faço minha todas as palavras da @dianapadua sobre a propaganda da Bic.Tomara q a justiça seja feita no julgamento…
ótima retórica Dí. Também concordo com você e ví preconceito sim na propaganda. Ao meu ver, o que acontece é examente o que vc está tentando dizer desde o início: A BANALIZAÇÃO do preconceito.
Sem dúvida é uma propaganda homofobica e somos guiados a nem percebermos que ela existe… Parabéns pela iniciativa e vou tentar acompanhar as coisas mais em seu tempo da próxima vez, rs…
beijos…
Pra ver homofobia numa propaganda engraçada você tem que estar muito doente. E o nome da doença é ideologia.
Para a Carla do comentário anterior:
“Pra ver homofobia numa propaganda engraçada você tem que estar muito doente. E o nome da doença é ideologia.”
Tomar certas coisas como naturais ou simplesmente engraçadas não seria, também, uma “doença” nossa? Ok. Não “doença”. Mas os preconceitos e as padronizações se reproduzem na sutileza dos atos e das palavras. E não é “doença” buscarmos perceber de forma crítica o que dizemos e fazemos. Mesmo aos tropeços – que, aliás, são inevitáveis.
Assistí a propaganda preconceituosa ontem. Coisa feia!
Sou contra qualquer tipo de preconceito ou intolerância!