O apagão de ontem, 10 de novembro de 2009, deixou 18 estados brasileiros + uns paraguaios no breu. Enquanto isso, as conexões 3G estavam funcionando a todo vapor, usadas por pessoas que buscavam no Twitter informações atualizadas e o alívio da tensão causada pelo blecaute.

Os posts e comentários de hoje só falam nisso: afinal, isso é Jornalismo 2.0 ou não?

Li alguns posts que me motivaram a escrever este. Vi pessoas entusiastas, dizendo que o apagão foi um marco para a ferramenta, e que cada tuiteiro estava contribuindo para a disseminação de informações. Jornalismo colaborativo?

Também vi pessoas bem mais pessimistas, dizendo que o papel do jornalista não é apenas disseminar informação – ReTuitar alguma coisa – e sim apurar os fatos, de forma a oferecer a informação concreta e imparcial.

Qual lado está certo?

A meu ver, os dois. Sinto que, depois da queda do diploma de jornalista, a classe ficou um tanto desorientada. Meu recado pra essas pessoas é: relaxem! Meu diploma (Marketing) também não é obrigatório, o de Publicidade também não, o de Designer também não, o de Radialista menos ainda, o de Administrador então nem se fala. Mas nem por isso, um bom profissional é passado para trás por alguém sem competência. Duvido, por exemplo, que a empresa onde trabalho aceitaria alguém sem curso superior no meu lugar. De outro curso, sim, mas o diferencial e o conhecimento que o ensino superior oferece raramente é posto de lado em uma seleção.

Concordo sim, que a FUNÇÃO do jornalista é essencial! É necessário ter alguém que busque as informações, apure, corra atrás de fontes sérias e imparciais. E esse NÃO é o papel de 90% dos blogs e twitters. Na internet, a produção de conteúdo é livre, e blogueiros e twitteiros não são 100% imparciais nem seguem linhas editoriais.

Por outro lado, é inegável que, enquanto minha TV estava ligada no Jornal da Globo (sim, aqui tem gerador), eu estava no Twitter. Porque ali eu tinha informações de quem estava vivendo a situação, assim como as pessoas da minha cidade. Porque ali tinha outras pessoas que usavam diversas fontes para darem as informações. E porque ali eu conseguia rir da situação, brincar com isso e aliviar a tensão de NÃO saber o que poderia acontecer (o assessor de Itaipu chegou a dizer que poderíamos ficar sem energia por 3 dias).

Tudo bem, há pessoas que atentam muito para os termos utilizados, e talvez usarmos o termo “Jornalismo Colaborativo, P2P ou 2.0″ para isso seja um tanto forte. Mas não dá para negar que a imprensa precisa agora dessa colaboração, e que precisa se adaptar a essa nova realidade, construindo e apurando as notícias junto a seus públicos.

E, me desculpem os mais xiitas, mas isso não tem mais volta. O 2.0 veio para ficar!

Posts que me inspiraram:

- Graças ao apagão, a esposa do @Interney entendeu para que serve o Twitter; – Por Juliano Spyer
- Egocentrismo sim, egoísmo não!; – Por Carlos Cardoso
- O que é o quê: jornalismo e crowdsourcing no #apagao. – Por Vanessa Ruiz

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