Jan
30
2009

O Ecletismo como definidor da personalidade

Infelizmente, a sociedade de hoje acusa os ecléticos como sendo seres sem personalidade definida. Até mesmo Machado de Assis, no conto “O Espelho” chama os ecléticos de filhos do demo:

Pela minha parte, conheço uma senhora, – na verdade, gentilíssima, – que muda de alma exterior cinco, seis vezes por ano. Durante a estação lírica é a ópera; cessando a estação, a alma exterior substitui-se por outra: um concerto, um baile do Cassino, a rua do Ouvidor, Petrópolis…

- Perdão; essa senhora quem é?

- Essa senhora é parenta do diabo, e tem o mesmo nome; chama-se Legião…

Deus/A natureza fez tudo para ser de um jeito, imutável: nascer, crescer, reproduzir e morrer. E isso não aceita nenhuma modificação, nenhuma ideia diferente. E aí, os ecléticos ficam de fora (são o demo, lembra?).

Mas acontece que o fenômeno do Ecletismo não é tão mal assim. O Pai dos Burros define o ecletismo como hábito ou liberdade de tirar proveito do que se considera mais útil em qualquer cultura ou corrente política, sem aderir exclusivamente a um sistema. Sendo assim, os ecléticos são pessoas criativas, dinâmicas, empreendedoras, com mente aberta a novas ideias e experimentações. Eles conseguem adaptar cada fragmento de sua personalidade a cada nova situação. Podem ser simpáticos com os clientes, agressivos nas ideias que irão desbancar o concorrente, podem ser ousados e extravagantes, mas se a situação exigir, podem simplesmente ouvir e compreender. Eles são flexíveis.

No mercado de trabalho, os ecléticos são justamente aqueles que irão conectar todas as suas referências para atingir um determinado objetivo. E, fazendo isso, terão sido criativos e inovadores, o que é (por sinal) um dos principais objetivos das empresas de comunicação.

Vamos analisar o lado oposto: profissionais iguais, todos com o mesmo perfil, todos com as mesmas habilidades. Não me surpreende que as empresas estejam sempre iguais. Naturalmente, o ser humano evita as mudanças, porque só se sente seguro diante de uma situação que esteja sob o seu controle. Sente-se medo de arriscar. Sente-se medo de pessoas que pensam diferente. E o mercado de trabalho vira enlatado, sempre igual, nunca diferente.

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Sobre: Diana Pádua

Sonhadora e ansiosa, acha que pode mudar o mundo. Formada em Marketing, pós-graduanda em Comunicação Estratégica, apaixonada por Relações Públicas, Branding e Comportamento. Trabalha com Mídias Sociais na Wine.com.br, maior e-commerce de vinhos da América Latina.

1 Comment

  • At 2009.04.04 20:12, Marco Y said:

    Eu gosto de pensar o seguinte. O eclético ou o diferente e incompreendido de hoje pode ser o gênio reconhecido de amanhã.

    Por isto, o importante é seguir seus sonhos e suas convicçôes.

    bjos

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