11
2009
Noites Brancas – Dostoiévski
“É, pois, em vão que o sonhador procura entre
as cinzas dos seus velhos devaneios pelo menos
qualquer cintilação para lhe soprar em cima
e aquecer com um fogo novo o seu coração arrefecido
e nele ressuscitar tudo o que outrora era tão agradável,
tudo o que lhe sensibilizava a alma,
tudo o que lhe fazia palpitar o sangue,
tudo o que lhe inundava de lágrimas os olhos
e iludia de maneira tão magnífica”!F. Dostoiévski – Noites Brancas (P. 40)
Fantástico!! Não tenho outra palavra pra definir Noites Brancas, de Fiódor Dostoiévski. Um conto profundo, lúdico, feliz e triste, que fala de sonhos, amor verdadeiro, solidão, com um profundo conhecimento da alma humana.
Segundo a Wikipédia, este é o livro que mais aproxima Dostoiévski do romantismo, e foi escrito em 1848, antes de sua prisão. Como personagem central, um personagem sem nome, que conhece a todos, mas não é conhecido por ninguém, doravante chamado de Sonhador. Em uma das noites brancas* de São Petersburgo, conhece e se apaixona por Nástenka.
Um encontro casual muda completamente a vida do Sonhador: Nástenka é uma moça ingênua e também sonhadora que espera aquele para quem um ano antes prometera o seu amor. Ao longo das quatro noites seguintes, Sonhador se apaixona pela moça e conhece sua história:
Nástenka vive atada com um alfinete à saia da avó cega e ao lado da criada surda. Quando um novo inquilino chega a sua casa, ela vê a possibilidade de escapar de sua solidão. O misterioso homem um dia deixa a casa, prometendo que voltaria depois de um ano, quando tivesse condições de casar-se com ela. Quando o protagonista encontra Nástenka na ponte sobre o rio Nieva, estamos exatamente no dia marcado para o reencontro. Mas nenhum dos três personagens pode prever o que o destino preparou para eles.
No final da história (não, eu não vou contar o final, apesar de não entender a fixação dos brasileiros por finais… :P), não sei até que ponto tudo aconteceu realmente, ou foi apenas mais um devaneio, de um homem solitário, que realmente SABE amar.
Enfim, este foi o primeiro livro de Dostoiévski que li, e agora já emendei no “O Idiota”, inspirado em Dom Quixote, de Cervantes. O que posso dizer senão que já virei fã do escritor russo? :)
(*) “Noite branca” se refere a um fenômeno comum na Europa em que, mesmo à noite, o sol não chega a se pôr completamente, causando uma atmosfera onírica
.
Post originalmente publicado em 10 de abril de 2007, no meu extinto blog “Devaneios”, reencontrado graças ao MARA Archive.org.
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4 Comments
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Muito boa escrita encontra aqui! Vim através do Twitter, te segui e você me seguiu. O lance do Dotoievski é que ele se movimenta num terreno movediço entre a realidade e o surrealismo, se é que possa haver “realidade” em literatura. Para pagar esta recomendação de leitura, dou outra: um pequeno conto de Leon Tolstoi, A Morte de Ivan Ilich. Ele pode ser encontrado por aí na Internet em PDF.
Literatura é, sem dúvida, minha categoria favorita do seu site – ainda mais sobre o escritor favorito de uma grande amiga minha. Tu deverias escrever mais resenhas: me deu tanta sede de ler “Noites Brancas” que alguém vai ter que me amarrar pra eu não correr até a biblioteca agora e esquecer todas as minhas outras leituras ditas “obrigatórias”… x)
beijos de luz!
beA.*
É realmente lindo!
Mas paixão mesmo eu tenho é pelo lado bem dostoievskiano do Dostoievski! Entende? Ah, entende sim. Aquela agonia doida!
Olá, Diana.
Obrigado por me lembrar “Noites Brancas” que, sei lá porquê, li pelo menos umas cinco vezes na adolescência. Não sei se percebi muito bem e, por isso reli mais recentemente. Há já vinte e tal anos vi (vi? acho que vi…) o filme de Visconti, numa retrospectiva desse realizador. Mas mesmo sendo Visconti (que eu adoro), não teve o fascínio das primeiras leituras.