”E a sensação nunca mais me deixou, de que meu corpo carrega em si todas as chagas do mundo.”

”Para que preciso de pés quando tenho asas para voar?”

A última entrada em seu diário: ”Espero a partida com alegria… e espero nunca mais voltar… Frida”

Frida Kahlo, 1907-1954


Coloquei uma meta para mim: assistir a um filme (bom) por semana. Filminhos com Adam Sandler não contam… Têm que ser aqueles filmes com roteiro, atores, fotografia, edição, figurino, tudo bom ao mesmo tempo. E hoje, assisti Frida, filme americano, dirigido por Julie Taymor (Accross the Universe, O Rei Leão da Broadway), e baseado no livro de Hayden Herrera.

Salma Hayek e Alfred Molina estão ótimos como Frida e Daniel Rivera, casal de artistas mexicanos, polêmicos e revolucionários. O filme, duro e suave, triste e alegre, conta a história de Frida Kahlo, pintora surrealista, de sua adolescência até sua morte.

Frida vivia intensamente cada instante de sua vida, até mesmo os de puro sofrimento. E sofrimento foi o que não faltou: aos 6 anos de idade, contraiu poliomielite (paralisia infantil), o que a deixou manca para o resto da vida. Na adolescência, sofreu um grave acidente de ônibus, com várias fraturas que a deixaram de cama por muito tempo, sentindo dores durante toda a vida e impossibilitada de ter filhos.


A coluna quebrada

Quando conhece e se apaixona por Diego Rivera, seu mentor, amigo e marido, Frida sofre ainda mais. Vejo nisso um amor incondicional, de ambas as partes, mesmo com todo o sofrimento que causaram um ao outro. Relações extraconjugais e temperamentos fortes. O fim desse relacionamento aconteceu quando Frida flagrou sua irmã e seu marido na cama. Anos depois, Frida e Diego se casaram novamente.

Frida Kahlo e Diego Rivera

O mais interessante é que o filme consegue contar a vida da pintora do seu ponto de vista: Frida passava para a tela momentos particulares, especialmente os de sofrimento, como o aborto espontâneo que sofreu ou como as dores que sentia na coluna. Frida tinha um olhar totalmente diferente da realidade, transpunha isso para suas pinturas, e o filme transmite isso muito bem.

Frida Kahlo - Henry Ford Hospital
Hospital Henry Ford

Outros pontos de sua vida, como seu caso amoroso com o intelectual russo Leon Trotsky, sua prisão, suas viagens aos Estados Unidos acompanhando Diego, suas discussões fervorosas sobre o socialismo, sua revolução artística, política e sexual, sua morte, são magistralmente registrados no filme.

Enfim, a história triste e guerreira de uma mulher, mas contada da forma como ela mesma via a vida: intensa, colorida, alegre, forte. Até o momento de sua morte, por embolia pulmonar (ou por overdose de analgésicos, acidental ou não).

Uma história que vale a pena ver, rever, ler, analisar, sentir.

Frida Kahlo

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