Uma das coisas que mais me irrita na minha cidade é que, por ser cidade pequena, você consegue contar nos dedos quem é meio diferente da maioria. Por isso, nada que seja muito fora do comum vinga por aqui. Por exemplo, o cinema só passa filmes do Adam Sandler, animações com muito público (como A Era do Gelo) ou blockbusters de super-herois. E desses aí, só as animações me chamam a atenção.
Ainda assim, quando as animações também são muito diferentes (leia-se NÃO dos grandes estúdios), aqui nem chega a passar. Foi o que aconteceu com Coraline (2009), que só consegui assistir ontem. Dirigido por Henry Selick (O estranho mundo de Jack), baseado no livro de mesmo nome do escritor Neil Gaiman (Sandman, Stardust), a animação chama a atenção por diversos aspectos.

Gostei da trilha sonora, gostei do clima sombrio, gostei de tudo. O filme, apesar de as pessoas acharem que sim, não é infantil. Se EU fosse criança e tivesse assistido Coraline, eu não teria conseguido dormir. O filme começa mais “fofinho”, mas sem abandonar o lado sombrio. Do meio para o final, o lado dos sonhos dá lugar a criaturas crueis, no pior pesadelo.
Neil Gaiman busca diversas referências para a história: Alice no País das Maravilhas é a mais marcante. Além de Alice, Shakespeare e Edgar Allan Poe, entre outros, inspiraram Gaiman a criar uma história sobre medos, infantis e adultos.
O filme começa com mãos de pinças metálicas costurando uma boneca, cópia exata da menina Coraline. A garota acaba de se mudar com os pais para uma casa antiga, e conhece pessoas estranhas: Wybie, um menino meio que obcecado em segui-la, Sr. Bobinsky, dono de um circo de camundongos saltadores, as vizinhas “videntes” e atrizes de teatro Srta. Spink e Srta. Forcible. Além disso, um gato preto marca presença na história, e se revela um dos melhores personagens.
Um dia, Wybie encontra uma boneca de pano no baú de sua avó e a dá de presente a Coraline. A boneca é aquela mesma da abertura do filme, a “Coralininha”. Um dia, a menina descobre uma portinha, e quando a abre, só vê uma parede de tijolos. Mas à noite, a portinha se torna um portal para um mundo de sonhos, onde os pais da menina dão toda a atenção que ela precisa, mas que não tem na vida real, já que seus pais trabalham demais. Nesse outro mundo, a outra mãe, o outro pai, o outro Wybie, todos têm botões no lugar dos olhos. E depois de alguns dias, a fantasia começa a cobrar seu preço: Coraline precisa pregar botões em seus olhos também se quiser ficar para sempre naquele mundo mágico.
A partir daí, escolhas, responsabilidades, força e coragem guiam a história até o final. Enfim, toda a genialidade de Gaiman, perito em escrever sobre sonhos e pesadelos, e de Henry Selick fazem do filme uma boa diversão para crianças. Não para crianças comuns, mas sim àquelas que residem dentro de nós.
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De “pequeno grande filme” a Prata em Cannes
Com uma estratégia de comunicação integrada muito bem executada, Coraline levou um Leão de Prata de Titanium & Integrated, a categoria mais importante de Cannes.
A estratégia incluiu um tênis Nike em edição limitada, banners e paineis interativos e uma ação com blogueiros. Dessas ações, as que mais me chamaram a atenção foram as três últimas:
- O “primeiro banner produzido em stop motion” brinca com a natureza da peça: o Sr. Bobinsky estranha estar preso nela. Assim, conseguiram chamar a atenção para uma peça bastante ultrapassada.
- Os paineis interativos foram espalhados por 7 cidades dos Estados Unidos, e tinham o formato de espelhos. Quando uma pessoa se olha nesse espelho, tem seus olhos “transformados” em botões.
- A ação com blogueiros, que chama a atenção pelo nível de personalização e cuidado com que foi realizada. 50 caixas únicas, feitas à mão foram enviadas a 50 blogueiros, contendo cada uma objetos diferentes relacionados à história e uma senha, para acessar conteúdo secreto no site.
- E eu não podia deixar de falar dos cartazes, explorando o alfabeto. Lindos!!
Resultados? Um filme que previa 9 milhões de dólares na bilheteria na semana de estreia, mas que rendeu 16.9 milhões de dólares. Prova de que quando se é criativo, os resultados alcançam patamares acima do esperado.
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Ficha Técnica:
Diretor: Henry Selick
Roteiro: Henry Selick (filme) e Neil Gaiman (livro)
Gênero: Animação | Aventura | Fantasia
Cast: Dakota Fanning, Teri Hatcher, Jennifer Saunders, Dawn French, Keith David, John Hodgman, Robert Bailey Jr, Ian McShane.
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11 Comments
A blogueira que vos fala...
Soy Diana Pádua (prazer! ;D), tenho 27 anos, moro em Vitória - ES. Estou trabalhando como analista de monitoramento na Talk Interactive, escrevo em mais um monte de blogs e tenho pensado em tomar juízo.
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Definitivamente não é mesmo uma animação infantil. É um filme que chama a atenção por vários aspectos. Para os entendedores de animação, sabe-se que é um novo conceito de 3D visualmente parecido com filmagens de bonecos de macinha. Para o pessoal da comunicação, idéias de ações diferenciadas e, finalmente, para quem sabe apreciar um bom filme, mensagem e conteúdo muito além da superficialidade.
Ótimo post!
Abraço
Fiquei curiosíssima para ver o filme!
Muito bom post.
Beijos!
Neil, Burton e Selick bebem da mesma fonte no que diz respeito à narrações fantásticas e adaptações do fabulário infantil para uma visão mais sombria. Tive a oportunidade de seguir Neil no Twitter e tive uma noção do spread que o filme fez enquanto ele fazia seu tour de divulgação na véspera. Cada oportunidade de mídia cruzada que podia ser feita era rapidamente divulgada e acrescentada à “contagem regressiva”. Foi algo que fez muita gente se interessar a querer ver o filme ao invés de alimentar expectativas.
Deve ser muito bom o filme. Tenho me dedicado a estudar o Cinema Brasileiro.. mas a falta de tempo tem me afastado do Cinema. :(
Mas continuo adorando muito um escurinho e uma pipoca.
ah.. e um bom filme claro ;-)
Bjs
Oi, Diana! Eu e meus filhos pequenos vimos esse desenho. Eu não diria que ele não é infantil, mas sim que tem algumas cenas nas quais os pequeninos ficam um pouco amedrontados. Pelo menos foi o que aconteceu com os pequerruchos aqui de casa. De toda forma, Lara (7) e Thiago (5) curtiram muito. Ah, e claro, eu também, pois sou apaixonado por desenhos animados. Bjs
Assisti ao filme… No meu blog acho que o Miojo escreveu sobre ele. Realmente você conseguiu transportar bem para as palavras o que o filme representa, concordo plenamente com o que disse (principalmente sobre o filme não ser infantil… assustador pessoas com botões pregadas na cara). Adorei as curiosidades de marketing que você citou, quem dera um dia eu receber uma das 50 caixinhas de um próximo filme, rs. Abraços… estarei sempre aqui agora…
Diana, adorei o novo visual!
Amei o filme tb, vc bem sabe que gosto de filmes assim.
Saudades de vc!
Ah, sim, e entre no meu blog. Tem um pequeno jogo-corrente lá que pode ser que vc goste!
André,
Ótimo comentário também. Das técnicas de animação, eu não conheço muita coisa, mas o que eu mais aprecio é a recriação de mundos. Coraline faz isso muito bem. Outro que pra mim foi exemplar nesse quesito é Wall-E.
Obrigada pela visita, e volte sempre. ;)
Nati,
Valeu! Assista mesmo, você que gosta desse estilo, acho que vai amar Coraline!
Leo,
É verdade! E o uso que esses autores como Gaiman e o “cyberpunk” William Gibson fazem das mídias sociais os tornam cada vez mais próximos e referências para todos os fãs. :)
Fábio,
É, preciso me dedicar mais ao cinema brasileiro também. Temos produções muito boas por aqui. E sim, compartilho da sua falta de tempo… hehehe
Renateitô :P,
Tá, teoricamente é um filme infantil. ;) Mas continuo achando que o filme é assustador, e que seus filhos devem ter tido pesadelos nesse dia… hehehe
Ricardo,
li o post lá. É, eu também queria uma das caixinhas… :)
Também estarei sempre no blog de vocês, muito bom!
Carlinha,
que bom que gostou. ;) E sei bem que você gosta mesmo de filmes assim. Também estou com saudades, vamos marcar um almoço.
Ei Diana! Tudo bem?
Por aqui, tudo tranquilo! Então estou interessada pra saber sua proposta! vou te adicionar no msn pra gente conversar melhor,ok?
:)
O filme Coraline é péssimo e concordo c/ os comentários de que nào é feito p/ crianças, minha filha teve sérios problemas p/ dormir e c/ medo de tudo, sendo necessário ajuda psicológica…O filme é constituído por cenas de terror e figuras horrorosas.
Olá, Lourdes.
De forma alguma acho o filme “Coraline” péssimo. E sim, ele não é feito para crianças. Da mesma forma como o mais recente “Onde vivem os monstros” tem um roteiro muito mais adulto do que o nome e o trailer bonitinho fazem parecer.
É preciso prestar atenção em detalhes como direção, produção, roteiro de um filme. Porque o gênero “animação” já deixou de ser sinônimo de filme infantil há muito tempo. No seu caso, como tem a preocupação com o que sua filha irá assistir e como irá se sentir, procure ler algumas críticas antes de ir ao cinema. Por aí, você consegue ter uma visão macro sobre a história e saber se é adequado para a idade da sua filha ou não.
Coraline é baseado no livro de mesmo nome de Neil Gaiman, autor de Sandman, Stardust, entre outros. Histórias fortes, com mensagens profundas por trás, sempre com um grande toque de fantasia. Sandman é uma história em quadrinhos, que trata do Mestre dos Sonhos, assim como os outros perpétuos: Morte, Desejo, Desespero, Destruição, Delírio e Destino. Se quiser conhecer mais sobre o trabalho do autor, o site Sonhar.NET é uma boa pedida. Porém, não vá pensando que Sandman é uma história fácil, mesmo para adultos. http://www.sonhar.net/php/index.php
Bjs, obrigada pelo comentário.