22
2008
Complete a frase: “Faça o que eu digo, mas…”
Relativismo: culpado ou inocente? O que é proibido deveria ser proibido para todos ou somente para alguns?
Não sei. E não sei se consigo formar uma opinião sobre isso. Não agora, pelo menos.
Mas o fato é que, HOJE, achei um absurdo o fato que o Inagaki aponta:
No dia 30 de novembro de 2007 a artista suíça Mona Caron, atualmente residente em São Francisco, EUA, participou da Bicicletada, movimento que reúne mensalmente usuários de veículos não-motorizados, que se encontram com o objetivo de reivindicar seu espaço nas ruas e o direito de andar com tranquilidade pelas cidades onde moram. Na ocasião, Mona desenhou um painel na Praça do Ciclista, na Avenida Paulista, ilustrado por uma bicicleta alada.
Bicicletada, by Mona Caron
Esse grafite, como mostra a foto abaixo, que encontrei no excelente blog Apocalipse Motorizado, não existe mais. No lugar da arte urbana, restou um muro cinza e estéril.
Muro Cinza
Tá. Pela ditadura do ‘politicamente correto’, isso não pode. Mas o que justifica uma arte urbana desaparecer e uma propaganda política, não?

Propaganda Kassab
Enfim. Neste Flickr, você encontra artes urbanas que se tornaram somente fotos, e uma crítica ao Kassab. Vale MUITO a pena visitar!
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4 Comments
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O painel é tão mais bonito que acho que eles ficaram com pena do Kassab. Imagina a comparação. É isso!
É… Não deixa de ser estranho o “faças o que eu digo, mas…”. Só que, conhecendo um pouco a burocracia brasileira e vendo esse painel todo descascado, fico até em dúvida sobre se a pintura do Kassab não foi apagada deliberadamente ou por pura falha de nossa administração pública, que nunca foi lá exemplo de eficiência…
Por outro lado, vc tem razão em questionar a falta de isonomia, que é, aliás, um dos princípios do Direito Administrativo (art. 37 da Constituição), princípio esse que veda tratamento desigual a situações iguais.
E ainda: em Vitória, os anúncios políticos em muros são vedados. Em São Paulo, que agora está adotando uma legislação para retirar outdoors e similares, vão continuar permitindo-os?
Ainda não cheguei a formar uma opinião completa sobre o mérito dessa legislação paulista. Sou a favor do embelezamento da cidade e as iniciativas contra a poluição visual me parecem louváveis, mas, ao menos no centro comercial da cidade, não vejo porque tamanho rigor. (Aqui, confesso que fico extasiado ao ver aquela maravilha publicitária do centro de Nova York, por exemplo, com todos aqueles luminosos e letreiros digitais informando as cotações da bolsa em tempo real).
E ainda: sou a favor de que os grafiteiros tenham espaço no direcionamento urbano da cidade, pois são autores de uma forma legítima de arte, que precisa ser respeitada como tal. Assim sendo, por que não lhes reservar espaços específicos onde possam tranquilamente exercer sua arte para a apreciação dos transeuntes que a apreciam?
Creio que todas essas questões deverão entrar no debate…
Beijo!
Carla,
É, pode ser isso… Mas poderiam entregar a arte das propagandas políticas pros grafiteiros, também, né? A vida ficaria tão mais bela…
Felipe,
Não sei, pode ser que seja pura incompetência. Mas mesmo assim, é de se estranhar. Quanto aos anúncios em muros, eu também gostaria que não fossem permitidos. Isso sim é que é poluição visual! Quanto à legislação paulista, acho exagerada. Até porque, com as novas ideias da propaganda viral surgindo, há tantas coisas lindas e diferentes sendo criadas…
Quanto aos grafiteiros, uma vez você me questionou sobre os locais proibidos e tal. O que acontece é que pichador é diferente de grafiteiro. Pichar é crime, causa poluição visual, sujeira mesmo. Grafites são feitos em locais abandonados, e dão vida a muros cinzas, quebrados e sujos. E são mesmo uma forma de arte urbana!
Enfim, excelentes questionamentos.
[...] . Vídeo de entrevista com Pedro Doria, sobre a censura a seu blog . Controvérsia marca eleições no Brasil . Que diferença faz? Que democracia queremos? – post de Pedro Doria . Post de Alexandre Inagaki sobre a proibição do “Counter Strike”, e sobre a parcialidade da prefeitura de São Paulo no caso da “censura ao grafite”, também reportado aqui. [...]