7
2008
Censura Velada
Há poucos dias, precisei fazer uma redação na prova de inglês sobre esse tema. Engraçado que tantas coisas que aconteceram recentemente podem se encaixar aqui. Propaganda da C&A proibida, o recolhimento dos jogos “Counter Strike” e “EverQuest”, “capazes de formar indivíduos agressivos”, e o caso que pretendo expor aqui: a censura ao blog do jornalista Pedro Doria.
No blog, havia uma imagem na qual Doria pedia a Fernando Gabeira que avançasse para a corrida à prefeitura do Rio. O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro ordenou que a imagem fosse retirada, sob a ameaça de cassação da candidatura de Gabeira. O banner que expressava uma opinião foi interpretado como propaganda eleitoral, permitida somente a partir de 5 de julho.
O juiz Luiz Márcio Pereira justificou que “a Internet é hoje a maior preocupação no que tange à propaganda eleitoral, tendo em vista que ainda é um instrumento novo, com amplitude de utilização e alcance. Necessita, portanto, de um cuidado maior em termos de fiscalização“.
Resumindo, o TSE queria proibir a publicação de blogs, o envio de e-mails com as propostas dos candidatos, a participação do político no Second Life, o uso de telemarketing, o envio de SMS e a veiculação de vídeos em sites como o YouTube. Esta decisão foi “amaciada” no Rio depois da polêmica com Pedro Doria:
“No Rio de Janeiro, banner em blog e uso de redes sociais como Orkut, MySpace ou Facebook serão permitidos a partir de 6 de julho, quando a campanha em todos os meios passa a ser permitida. Fazer parecer que há uma eleição em curso, antes disso, é ilegal.”
Bom, pelo menos para mim, o acesso do eleitor à informação deveria ser o principal ponto para garantir uma eleição mais justa. Em outros países, a Internet é vista como uma ferramenta útil para a condução política. Vide inclusive a excelente campanha McCain x Obama, que utiliza-se não só de internet, mas também de marketing viral e de ferramentas e meios inusitados. E no Brasil, a interpretação parece ser oposta: quanto mais informação as pessoas tiverem, menor o controle do Estado sobre as decisões da “massa”.
Coisas de Brasil…
Mais sobre o mesmo:
. Vídeo de entrevista com Pedro Doria, sobre a censura a seu blog
. Controvérsia marca eleições no Brasil
. Que diferença faz? Que democracia queremos? – post de Pedro Doria
. Post de Alexandre Inagaki sobre a proibição do “Counter Strike”, e sobre a parcialidade da prefeitura de São Paulo no caso da “censura ao grafite”, também reportado aqui.
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hum..mto bom o texto.Faz pensar.
A internet é um território sem dono…e é usado para o bem – sua opinião não é censurada( até então, ne?) e para o mal- pedofilia e crimes virtuais.
O ciberespaço não tem pai e nem governo! A lei é a não-lei.
bjo
Seu post levanta um ponto importante, sobre a liberdade de expressão. Enquanto Barack Obama está sendo considerado um marco da influência da Internet nas campanhas presidenciais americanas, o nosso judiciário, que deveria se preocupar com temas mais urgentes do nosso cotidiano, vem na contramão…
Kássia,
pois é… E aí, o judiciário começa a atuar na internet, mas sem entender as características do meio. Aí, complica…
Marco,
É, isso me revolta também. Há milhares de coisas mais importantes no Brasil, mas o brasileiro não se preocupa com prioridades… E aí, vai entrando em terrenos que não conhece bem, só pra parecer informado.