7
2008
Carta aos “adultos”
Prezado Sr. “Adulto”,
Sou aquilo que o sr. chama de “kidult”: tenho sua idade, mas não quero deixar de lado minha porção criança, e demonstro isso em meus hábitos de consumo. E, como representante da classe, venho por meio desta expressar a minha indignação em relação ao seu preconceito contra mim.
O sr. diz que é insegurança face a uma nova fase da vida. Pode ser que sim… Graças ao sr (e aos outros robôs de sua espécie), fui obrigada a escolher o que vou ser para o resto da vida (pois, no seu mundo, não se admitem mudanças) aos 17 anos. Admito que sinto, sim, um certo medo de crescer. Mas tem um medo que me aterroriza mais do que ser responsável por pagar todas as minhas contas: o de perder meu lado “kid”…
Quero saber quem foi que disse que eu não posso usar estampa de “Hello Kitty” na minha baby look. Enfim, qual é o problema? É bonitinha, eu gosto, sinto saudades da minha infância, e gosto de recordá-la… Isto é uma opção de vida. Já me tiraram tanta coisa, não tentem me tirar o direito de usar pantufas de hipopótamo!
E digo mais: pelo menos, isso aguça minha criatividade. Pior é o sr., que cresceu, envelheceu (o espírito), e se moldou de acordo com os padrões “adultos” que a sociedade impõe (e assim, acaba retraindo toda a sua vontade de viver).
Não vou entrar aqui em méritos maiores, como a visão sociológica de Frank Furedi, que ficou “horrorizado” com o fenômeno dos “kidults”, ou a insuportável visão da Glória Kalil, porque, sinceramente, de textos assim, a internet está cheia. Basta uma procura básica no Google para o sr. encontrar pelo menos 100 sites falando desses amargurados.
Mas só pra te contrariar um pouquinho, digo aqui que, sim, mesmo sendo uma “kidult”, moro sozinha (ou em república) desde os meus 19 anos. Trabalho, e tenho um senso de responsabilidade muito maior do que muito “adulto” por aí. E não tenho medo (como o sr.) de arriscar uma nova carreira quando aquela que escolhi prematuramente não me satisfaz mais (ou o sr. acha que vou ficar me lamuriando a vida inteira, e me conformando porque a vida “adulta” é assim mesmo?).
Concordo que pode ser uma forma de fugir da lucidez quando ser adulto machuca, mas só assim posso ter certeza de que não vou envelhecer e ficar rabugenta, com a visão intolerante de quem só vê um lado da vida.
Sim, leio sobre filosofia, religião e ciência com o mesmo apreço com que leio as tirinhas do Hagar; assisto a “Lilo & Stitch” com o mesmo interesse com que assisto a “Forrest Gump” ou “O Poderoso Chefão”. E sim, adoro ganhar bichinhos de pelúcia e usar moletom do Harry Potter.
Portanto, faça o favor de cuidar da sua vida, sr. “adulto”, e me deixe ler quadrinhos, assistir desenhos animados e usar minhas pantufas em paz. Afinal, eu não fico te “torrando o saco” sobre o seu comportamento uniforme e sem personalidade. Aliás, se ser “adulto” significa que eu não tenho mais o direito de usar camisa da “Minnie”, prefiro ser uma “kidult” pra sempre.
Agora, se o sr. me dá licença, me despeço, porque está passando “As Meninas Super-Poderosas” na TV. Até mais ver.
——
.
.. Republicação do post “Carta aos adultos”, de 11 de julho de 2006, do meu extinto blog Devaneios.
.. Não, não estou me referindo a ninguém. Só me lembrei deste texto (gosto tanto dele) e quis publicá-lo aqui. E desculpem a rabujice. ^_^
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2 Comments
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Por







Você tem o meu apoio neste texto! O meu apoio e dos meus mais de 150 kits de carrinhos para montar, escondidos na minha casa, na casa da minha mãe e na casa da minha sogra…hahahaha
Coleciono miniatura de carrinhos a mais de trinta anos.
=]
Oi, td bem?
Eu adoro esse seu texto! Mto legal mesmo!
E viva o Tio Patinhas!!!
Beijo