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Bem vindos again! :)
Então. Finalmente, blog no lugar certo. Ainda não está tudo nos eixos, mas logo vai ficar. Peço, inclusive, que se você achar algum errinho por aqui, avise pelo meu e-mail (diana@dianapadua.com). Ah sim, e atualizem o feed, please? É só clicar aqui.
E, para começar com o pé direito, vou falar sobre a análise semiótica de uma das propagandas dos mamíferos da Parmalat. Esta foi uma discussão muito boa na aula de ontem, no MBA, e acho que vale a pena compartilhar aqui.
Então. O vídeo da propaganda é esse:
Para analisar corretamente o comercial, precisamos contextualizá-lo. Na década de 80, percebe-se uma mudança na sociedade. As mulheres começam a buscar construir carreira, e por isso, passam a casar-se mais tarde. Os homens começam a morar sozinhos, e por isso, aparecem serviços para quem não sabe ser “dona de casa”: lavanderias, restaurantes self-service, entre outros.
Quando este homem e esta mulher se casam e têm filhos, a mulher volta a trabalhar e a estudar, e o homem precisa aprender a cuidar do filho. Resumidamente, a criança sente falta da mãe, e o pai precisa “pedir permissão” para entrar no mundo da criança, que não aceita facilmente a ausência da mãe.
Em meados de 1990, o comercial é lançado. Inicialmente, achamos que o público-alvo principal são mulheres e crianças. Oras, são bichinhos de pelúcia, crianças fofinhas, música bonitinha. E aí, nos surpreendemos quando percebemos que o público-alvo principal dessa propaganda são os homens, esse pai de que falei acima.
Surpreso? Vamos lá.
1º. Crianças batendo continência, um signo militar e masculino. A própria música acaba tendo o ritmo militar, com batidas fortes e altamente marcadas.

2º. A letra da música refere-se ao pai, ao símbolo masculino e a toda a força que a masculinidade representa.
Você é amigo, leal, corajoso
Vou ser igual a você
Mamífero famoso
Mais forte, mais valente
Mais alto, mais veloz
Seja bem vindo entre nós
Bem vindo és
Nosso heroi
3º. A presença de Ronaldo, no auge da sua carreira, representando o pai, o heroi.

4º. O pai, para substituir a mãe, precisa da “permissão” da criança. No comercial, o leão (o Rei dos animais) fecha a cara, e só aceita a entrada de Ronaldo depois que este se rende, e bate continência primeiro.



5º. A “divinização” de Ronaldo, com a sugestão de asas e a posição de câmera, que fazem dar a ideia de um anjo. E a letra da música, que até então usava uma linguagem informal (“Você é amigo, leal, corajoso, vou ser igual a você”) passa a adotar um estilo de linguagem bíblico (“Bem vindo és nosso heroi”).

6º. Por último, subliminarmente, a propaganda revela ser, não da Parmalat, e sim da Nike.

O público infantil acaba sendo o segundo público-alvo da propaganda. Fora toda a repercussão que a campanha causou, com os bichinhos de pelúcia. E quem era grande parte das pessoas na fila? Acertou quem disse a figura masculina.
E então? Faz sentido, ou você acha que meu professor fumou uns? Deixe sua opinião aí nos comentários. :)
E bem vindos de novo!
3 Comments
A blogueira que vos fala...
Soy Diana Pádua (prazer! ;D), tenho 27 anos, moro em Vitória - ES. Estou trabalhando como analista de monitoramento na Talk Interactive, escrevo em mais um monte de blogs e tenho pensado em tomar juízo.
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pois faz sentido a teoria, não faz?
e estou ainda com saudades de vc, temos que marcar um almoço!
Olá Diana!
faz sentido sim! Sabe que nem cheguei a ver esse comercial na TV? Mas observando os detalhes, viu que a zebrinha e o tigrinho são crianças negras, e os bichos ‘fofinhos’ (gato, coelhinho), além do ‘rei dos animais’, são branquinhos? mais uma mensagem subliminar ou os estereótipos esperados?
aff, quanta coisa em um comercial… sem contar a propaganda subliminar da Nike, essa foi de doer…
Gostei muito do novo layout, ficou bem moderno e clean, parabéns!
Beijos (já estava com saudade dos seus posts),
Cristine
Apenas para fins de esclarecimento, a “propaganda subliminar da Nike” como vocês dizem é na verdade uma exigência do contrato da Nike com o Ronaldinho.
Quando ele assinou o contrato vitalício com a Nike uma das cláusulas era que durante os cinco anos seguintes da assinatura qualquer participação em comercial ou propaganda que o Ronaldo aparecesse deveria aparecer também a marca Nike. Na época em que o comercial foi gravado esses cinco anos ainda não haviam acabado.
Quanto à crítica crianças brancas vs crianças negras e seus respectivos papeis de animais acho que não é muito pertinente. Acredito que o tigre possa ser considerando um animal de primeira linha enquanto que crianças brancas interpretam rato, porco espinho e macaco por exemplo.